O que eu vou escrever, e afim de que não me acusem de difamação, corresponde àquilo que acho que deveria ser a reacção de uma pessoa suspeita de alta corrupção e que simultaneamente desempenha um alto cargo no governo.
Segundo o velho ditado da mulher de César, esta não só deve ser séria como deve parecer séria. O que dizer então do próprio César? Se César for um ditador, não precisa de ser sério e pode mandar cortar a cabeça daqueles que falam mal dele. Parecer sério? Esta questão não se põe, tudo o que César faz é a sério e tudo o que ele diz também, até mesmo quando mente é a sério.
Mas num moderno estado democrático, num estado dito de direito (em que há leis e mecanismos para as fazer cumprir, suponho!) um governante num cargo de topo devia ser como a mulher de César, ser sério e parecer sério. Deste modo, espera-se que o governante não minta, e que não tenha comportamentos, atitudes e discursos que levem a duvidar da sua seriedade.
Quanto às mentiras, já toda a gente sabe do que é capaz o nosso primeiro-ministro, José Sócrates. Agora levanta-se a suspeita de que também é corrupto.
O que faria um governante sério perante uma tal suspeita? Pura e simplesmente pediria a demissão do alto cargo que desempenha e punha-se à disposição da justiça para averiguação da verdade. Quem não deve não teme.
O que faria um governante corrupto e mentiroso? Jamais colocaria a hipótese da auto-demissão com receio de mostrar fraqueza, fraqueza que, para mentes criminosas como as dele, são sinónimo de assunção de culpa. O governante corrupto e mentiroso procurará, em nome da defesa da sua «honra» e da sua «integridade» e de outras balelas, por todos os meios legítimos ou ilegítimos, permanecer no poder de onde pode manobrar melhor as coisas a seu favor.
Sócrates não vai se demitir nunca, ele tem que ser demitido! Quem o fará?