A engenharia demográfica a que se devia dar mais atenção difere daquela usual em que se analisa o número de habitantes por grupo etário e se constroem gráficos que lembram figuras semelhantes a pirâmides, pinheiros ou outras árvores.
Considere-se uma sociedade em que os seus membros, num total de X, desempenham funções úteis ao funcionamento da comunidade. Foram identificadas N funções úteis nessa sociedade, sendo n1, n2, n3, etc. o número de pessoas que desempenha cada uma dessas N funções. Se a soma dos ni (i=1,2,…,N) não for igual ao número total de membros da sociedade, X, então esta sociedade contém elementos que não desempenham uma função útil e a que se pode dar o nome genérico de… “inúteis”.
Esta é a forma matemática rebuscada de explicitar o conceito de “exclusão social”. Os “inúteis” carregam quase sempre, com ou sem razão, o estigma da… descartabilidade, de serem pessoas sem lugar definido na sociedade (ou até na família), “inúteis” em suma. Mas nestes “inúteis” estão incluídos todos os que não têm uma função útil identificada e é por isso mesmo que se chamam “inúteis”. Mas a verdade é que tudo não passa de uma convenção, pois podemos perfeitamente atribuir funções úteis a todos eles…, ou eliminá-los! Veja-se o exemplo dos nossos animais de estimação, perfeitos “inúteis” mas ao mesmo tempo úteis pelo afecto que lhes dedicamos.
Mas uma coisa é gostar de cães e gatos e outra, muito diferente, de pessoas. Porque a maioria das pessoas são odiosas, agem de má-fé. Se um gato nos rouba a torta que pusemos a arrefecer na janela, ou leva com um sapato (se acertar) ou, na maioria das vezes, até achamos graça. Mas se for uma pessoa a roubar a mesma torta, chamamos logo a polícia. Porquê? Porque as pessoas agem de má-fé, e os gatos não.
Considere-se, por exemplo, os vadios e os pedintes. Têm alguma função útil? Nenhuma, nem conseguimos alterar essa realidade. Cadafalso com eles! Mas acompanhados, claro está, por todo o pessoal das organizações de apoio aos excluídos a quem davam ocupação. A seguir, os reformados. Que função útil têm na sociedade? Só estorvam! Logo, ou lhes arranjamos uma função (mas qual?), ou cadafalso com eles. Mas leve-se também para o cadafalso todos que realizam funções úteis à custa deles: serviços diversos, produtores de artigos vários, assistência social, cuidados de saúde, lares para idosos e etc.. Imigrantes, idem. Ciganos, ibidem. Criminosos, idem ibidem. O que esta sociedade precisa é de ser purgada, um clister valente para limpar os vermes e parasitas… E iam ver como isto ficava um paraíso!
E àqueles que sobrassem depois da limpeza, a esses deviam ser implantados chips na tola para não saírem da linha. Ah, que sociedade maravilhosa nos está reservada no futuro! Vamos ser todos idiotas chipados mas bem comportados, saudáveis, trabalhadores, com o tempo todo ocupado. Assim é que vale a pena viver. E no dia em que deixarmos de ser bastante úteis à sociedade? Aí podemos ainda ser úteis se convertidos em estrume altamente biológico.