Não é nada do que estão a pensar. Ao lerem o título do post, quase que aposto que pensaram naqueles casos merdiáticos da casa Pia, dos bancos BPP, BPN, BPX, BCN, BNP, etc., da avaliação dos professores, da greve do lixo, do apito dourado, dos sacos azuis, e tantas outros casos em que não se faz justiça porque a Justiça não pode punir os mesmos que a concebem.
Estou a falar apenas da minha situação actual como professor. Quem me visita há algum tempo sabe que tive, em Janeiro passado, um problema de saúde gravíssimo que me tem levado, desde então, várias vezes ao hospital. Da última vez, fizeram-me uma operação que promete, a prazo mais ou menos longo, normalizar a minha saúde que é, de momento, pouco fiável. Passo uma semana bem e uma semana mal. Mal significa estar com dores e náuseas, e à beira de um novo internamento a dieta «zero». Nesse estado, fico sem vontade de fazer qualquer esforço, fico melhor deitado sobre a barriga, à espera que a crise passe. E alimento-me mal, com receio das dores. Mas nada disto me tem impedido de trabalhar, as faltas dadas reportam-se apenas aos períodos de internamento e recuperação, devidamete atestados.
Toda a gente me diz que eu devia meter uma baixa prolongada, e não ir trabalhar assim. É possível que venha a optar por isso. Mas entretanto, já tive que faltar um dia ao trabalho porque não me sentia bem. A lei em vigor sobre as faltas permite-me dar até 5 dias de faltas por ano, mas uma por mês no máximo, sem necessidade de atestados ou outros comprovativos. Mas já aprendi a não confiar nas leis, nesta então muito menos. Não se deve dar estas faltas a que se tem direito, elas contam para o absentismo do professor, os professores que dão faltas ao abrigo do art.º 102.º são vistos como «baldas», mesmo que as tenham dado porque não quiseram ter o trabalho de ir à procura do médico e convencê-lo a atestar uma coisa que ele não viu, não soube, etc.. E quantos atestados são deste jaez? Talvez haja mais verdade num art.º 102.º do que em muitos atestados…
Mas eu vou procurar o médico, vou ao centro de saúde, tiro uma senha e espero o tempo que for preciso para ser atendido, depois conto ao médico o sucedido e, se ele acreditar em mim, passa-me o atestado. Depois saio do gabinete médico, passo na secretaria e peço um comprovativo de estadia no centro para justificar mais esta falta que vou dar para poder justificar a outra. Prefiro faltar mais do que poderia, a ser apodado de «baldas». Art.º 102.º ? Nunca mais! E a minha avaliação? Era só o que faltava!
Mas, pasmem-se, todas as aulas a que eu faltar agora, têm que ser repostas, sem direito a qualquer compensação. Ao desabafar com alguém acerca desta injustiça (tenho um mês de internamento para compensar), obtive a resposta seguinte: «uma colega nossa que esteve 3 meses de licença de parto, também teve que repor». Outra resposta que me deram: «estando ao serviço, podes também dar aulas, mesmo que o período normal de aulas já tenha passado; em vez de fazer, por exemplo, vigilâncias a exames, dás aulas». Embora seja uma solução muito «fluida», esta é uma das formas de colmatar as injustiças legais. Mas que vão amarrando os professores a «favores» dos «chefinhos».