Embora estejamos ainda longe do ensino em que o professor é substituído por um operador de call center – que esclarece as dúvidas com a ajuda de um programa de computador, ou em que as dúvidas são esclarecidas sem intervenção humana sequer, do tipo «se a sua dúvida é em relação à raiz quadrada pressione a tecla 1, se for em relação ao teorema de Pitágoras carregue na tecla 2…» e por aí fora, e depois ouve-se e/ou vê-se umas explicações manhosas, ou simplesmente «pedimos desculpa mas a sua dúvida não foi programada» -, o certo é que paulatinamente para lá se caminha.
Na senda do ensino robotizado, há uma plataforma muito em voga em Portugal, o Moodle, que é utilizada por quase todas as escolas do país (para não dizer mesmo todas) e que serve por enquanto apenas como depósito de informações dos professores para as suas turmas. Mas a plataforma está já preparada para se efectuar diversas variantes de testes online, inquéritos, envio de trabalhos de casa, fichas, etc., etc..
Este ano, várias escolas tiveram os seus moodles avariados e muitas continuam ainda em infindáveis actualizações, não podendo os professores fazer uso deles para apoio às suas aulas, coisa a que já se vinham habituando e que lhes facilita o contacto com os alunos fora do horário de aulas. Claro que o tempo que o professor dedica ao trabalho nos moodles não é contabilizado para nada, mais uma das muitas coisas que se acaba por fazer porque uma mão invisível para lá empurra e, subtilmente, quanto mais não seja por curiosidade e por comodidade, o professor colabora activamente para um dia ser dispensado por completo, coisa que já vai acontecendo.
Ora, eu desconheço por completo a mão invisível que instala os moodles e que faz a sua manutenção. O moodle é uma plataforma gratuita como o Wordpress e encontra-se disponível a qualquer pessoa, eu já o venho usando desde há 3 anos num site que congrega pessoas amigas das letras, o «Ora, vejamos…». Mais recentemente instalei outro em «Moodle Aberto» e onde qualquer formador pode pedir a abertura da sua disciplina para efeitos de apoio às suas aulas. Porque uma coisa é lançarmos mão de ferramentas independentes para apoio à nossa prática lectiva e outra é termos de usar um moodle que não sabemos bem quem o «comanda» mas que é «oferecido» oficialmente, proporcionando-se inclusive acções de formação com formadores pagos por alguém, sobre uma plataforma gratuita!!!
Será legítimo fazer uso de software gratuito para essa grande negociata que vai em todas as escolas do país com o MOODLE.ORG?
Por isso, e para contrariar esses negócios pouco limpos que por aí se fazem, resolvi instalar um Moodle Aberto, em que os formadores podem solicitar a abertura de disciplinas para apoio às suas aulas, sem ter que dar satisfações a ninguém.