Avaliação dos professores está a decorrer com normalidade – RTP Notícias

José Sócrates recordou que “nunca houve um momento na minha vida e na dos que aqui estão presentes em que, ao mesmo tempo, o Japão, Estados Unidos, Europa, a Rússia, e de certa forma a economia global estivesse toda ela em recessão”.

Todos os governos-fantoche do mundo podem utilizar a desculpa da recessão mundial. Mas não podem furtar-se à responsabilidade de nos terem conduzido pela via da globalização. Ou será que não tínhamos escolha? Então vivemos numa ditadura sem sabermos. Quem são os ditadores?

A avaliação de professores não passa de um logro, o pior que fizeram aos professores, e que eles engoliram calados, foi precarizar o emprego dos professores do quadro de nomeação definitiva (PQND). Com efeito, todos os PQND passaram a PQE (professores do quadro de escola) que já podem ser despedidos. Apenas os ditos novos titulares não perderam regalias. Se os professores do ex-quadro de nomeação definitiva, já podem ser despedidos, há que ter um mecanismo que permita o despedimento. Esse mecanismo chama-se avaliação.

Os professores do ex-quadro de nomeação definitiva, que o atingiram com muito sacrifício, estão agora quase ao nível dos trabalhadores a recibo verde. Fala-se de desemprego mas vai-se abatendo os indesejáveis, os novos-pobres vão servir para engordar os novos-ricos que, para além de casos Freeport, ainda conseguem ir buscar algum às obras nas escolas. Na minha escola, uma das escolas sólidas deixadas do “antigamente”, as obras começam em Abril, e aos professores precarizados pede-se colaboração para transferir o equipamento para os contentores onde irão dar aulas durante… sei lá, até serem despedidos.

Os contentores que, segundo dizem, são sofisticados (e certamente caros) servirão para quê depois? Para casas de “sem-abrigo”, isto é, dos professores a despedir? Para vender à Serra Leoa? Para receber os presos de Guantánamo? Vão ser necessários milhares de contentores por essas escolas todas. Com tanto dinheiro aplicado, não seria melhor construir-se escolas novas de raíz quando necessário? Mas isso talvez não fosse uma solução tão “freeport” e não traria qualquer transtorno aos professores cuja vida se pretende infernizar, atirando-os para a miséria global e globalizante da vida em contentores.


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